Saturday, 7 December 2013

Concert / Concerto ► 07 / 12 / 2013





Conto de inverno
(uma *cantata atípica)
- em 6 andamentos
Estreia absoluta




Solo para Voz/Trombone de varas, alguma electrónica ou outros instrumentos acústicos.
Género - fusão (erudita, jazz, contemporânea)
Trabalho criado e executado por  G. Costa .


Sala Visconti, Fábrica Braço de Prata - 7 de Dezembro, pelas 22h









Votos de um bom fim de semana, a todos.








Conto de inverno

 "A Winter's Tale" (an *atípical Cantata : six movements)



A solo performance by  Guida Costa  (Margarida)

 Venue, date & time:
Visconti Hall  - Fábrica Braço de Prata (Lisbon)
December 7th, 10pm
  
















Wishing all a warm and loving weekend
- take care


 


(this post was to become published on the 5th but  out of respect for the great Nelson Mandela it has been postponed so as to become visible two days later on the 7th, the concert date, at noon)







Monday, 21 October 2013

October 21 - in the absence of time / 21 de Outubro - ausência








O que é um ano,
um mês,
uma semana, 

ou dois minutos?
Que "série ininterrupta e eterna de instantes" é esta?  
Que tempo 
  é este?  
(que insiste em me bater na face 
entrelaçando-se com o que dos olhos verte (?), 
copiosamente se lançando para um lugar e tempo que tão preciso e precioso será, incerto é (?)
Que chuva é esta?  
(que insiste em me bater na face 
entrelaçando-se com o que dos olhos verte (?), 
copiosamente se lançando para um lugar e tempo que tão preciso e precioso será, incerto é (?) )
Que vento é este? 
(que insiste em me bater na face 
entrelaçando-se com o que dos olhos verte (?), 
copiosamente lançando tudo para um lugar e tempo que tão preciso e precioso será, incerto é (?) )

Que mar é este? 
(que insiste em me espelhar o rosto 
entrelaçado-se com o que dos olhos se converteu (?), 
que copiosamente lançará tudo para um lugar e tempo que tão preciso e precioso é, incerto será (?) )



Sinto o oscilar das eras nos teu rosto e nas tuas 
mãos imaculadas.  

Sinto tudo. 

Sinto o cheiro do movimento das ondas, 
da espuma,
do branco, 
da ausência..

Ausência?

A ausência não existe, não pode porque eu estou aqui.
               (e não estou).

E tu que como eu aqui não estás, vens secar-me a alma que se afogava 
numa maré que não pára.  
                                                              Desta vez
tenho o consolo do firmamento, do sonho, 
e, sei o nome de cada lágrima que cai. 









____________________________________________________________________ .
(pictiures taken with an old cell phone - G. AlmeidA, words by Maria MFA Costa) 










 He's running  Each wave a mistress cradling all limbs  
 Back and forth and forth and back and back and forth 
 and forth  
 In a frothy embrace, 
 chasing,   
 Each being one and manifold,  
 in love and rapture  
         as the sand stirs, 
         the sea soaks, 
 the sun bends,  and the heart..  
 beats to an eternal longing that begins  from that moment on -   

__________________________________________________ .





(esta é para ti..)







Sunday, 23 June 2013

Já que estamos em Junho.. musica - Carlos Azevedo - June and an incredible moon (with music)

 Já que estamos em Junho, e que só voltaremos a ter uma lua assim daqui a 18 anos, deixo aqui um promenor de uma obra que me é muito cara, desenhada por Carlos Azevedo.
Uma lua desenhada.. (parte de um desenho maior)






I'm told the moon shall only be this bright and close to us within 18 years. Since it's June, a beautiful month, I leave you with the above detail of a larger drawing created by Carlos Azevedo.
 I can evoke so many reasons as to why I hold this work so dear that I'm afraid the moon should pass before I'd finish.
Therefore I'll just leave it as is, mentioning that it is a detail "of a grand design" (double meaning)


I'll also leave you with a small sample of his music.
A prolific composer and musician, among other things he had been a teacher and director of the school for Jazz at The Hot Club of Portugal, the founder of S O M music school in Marinha Grande (Portugal), he also held many workshops and seminars nationwide.
An award winning composer, he wrote soundtracks for film as well as for the theatre. Having won on various occasions international and national prizes, his music is full of amazingly rich harmonic and contrapunctal lines and can be placed under various differing musical genres.  For the time being I can only give a small sample, mostly of some of his jazz (music and/or arranging). Hopefully soon I shall be able to supply other musical samples of his work.


Wishing all a happy June and summer


























Também aqui fica alguma música com ele, de sua autoria ou arranjo. Por enquanto é o que tenho para aqui pôr mas em breve terei mais coisas disponíveis.

Não sendo fácil para mim, ainda, falar do Carlos, sinto que não o fazer é ajudar para que a sua obra caia no esquecimento. N
em ele nem nós obviamente merecemos isso, e hoje parece-me um belíssimo dia (que termina com uma fantástica lua cheia) para lhe trazer para aqui para este blogue.



 Aluno, entre outros, de Jorge Peixinho, tendo começado a estudar piano muito novo com a sua mãe, a sua música como se sabe é especial, sendo que, quanto a mim, e como em tempos mencionei ao próprio, no que respeita à sua obra de caríz mais erudita existe uma aparente ligação forte ao que se pode ouvir em mais dois autores portuguezes anteriores a ele, e no qual sinto haver uma especie de "continuação", António Fragoso e Luíz Costa
(Vitor Macedo Pinto também, ia-me esquecendo deste, mas não me recordo se dele alguma vez tenhámos falado quando de música falávamos).  
Há certamente outras influências, quer tenham sido exercidas sobre ele como autor e músico, quer sejam dele sobre outros, de dentro e de fora do nosso pais.
É sempre assim com autores de sua envergadura. 

Retomando o que escrevia acima sobre Fragoso e Luíz Costa; como infelizmente não há o hábito no nosso país de valorizar, escutar, lembrar os nossos autores, deixando-os cair num vil esquecimento, digo,
merece mesmo muito ouvir qualquer um deles, e se tiverem oportunidade, os três..
No meu caso, quando me consigo abstrair da beleza que escuto nas obras e começar a verbalizar o que penso sobre as mesmas, pelos motivos que mencionei fico sempre perplexa, mas maravilhada, com tal ligação e fio condutor comum, por assim dizer, entre os nossos autores.
 Como disse, de momento tenho disponível aqui na internet pouca coisa do Carlos, do seu lado mais "erudito", por enquanto, nada.
Espero em breve conseguir disponibilizar exemplos desse tipo de obra dele, e mal as tenha disponíveis aqui na 'web' farei outro artigo onde incluirei os três autores, ele e os outros dois.   Sei que há deles algumas coisas, poucas, mas bem interpretadas por Miguel Henriques, por exemplo.
 Nessa altura, e se por acaso se lembrarem deste artigo, gostaria de saber o que pensam sobre este assunto.  

Poderia estar para aqui horas a escrever o que penso sobre a influência, mesmo que inadvertida e, ou, de forma inconsciente exercida de uns autores sobre outros, principalmente em casos onde a fruição dessas mesmas obras seja dificultada como no nosso caso onde a grande maioria das instituições, professores, programadores, canais de rádio e televisão parecem ter pouco o hábito em se lembrarem, ou darem a conhecer, incentivar, o tocar de tais obras.  Será certamente por motivos vários mas onde nunca se poderia dizer, como é fácil de verificar, que é por não se ter grande valor ou interesse artístico.  São obras, como é fácil de verificar, "Maiores", que só não têm mais impacto por serem constantemente "apagadas" da nossa memória colectiva, embora em alguns casos, possívelmente, de forma inadvertida.
 Neste momento apenas trago três ou quatro músicas, mas da tradição mais jazzística na sua maioria, com arranjo e, ou, autoria de Carlos Azevedo. Quanto ao assunto que acima escrevo, ficará para outra altura.





Espero que o verão vos traga coisas boas, e vos proporcione caminhos para um futuro melhor.  





Tschhhhhhhh.. e agora? Ela mexeu-se!!!

tschhhh-quecoisa. Oh, Carlos.., e agora?!

 

Saturday, 4 May 2013

Pietro Bembo - (Italian / Portuguese / English) & The Late Renaissance





PIETRO BEMBO


Alma cortese che dal Mondo errante 
 Partendo nella tua più verde etade, 
 Hai me lasciato eternamente in doglia, 
 Dalle sempre beate alme contrade, 
 Ov'or dimori cara a quell'Amante, 
 Che più temer non puol, che ti si toglia; 
 Risguarda in terra, e mira, u'la tua spoglia 
 Chiude un bel sasso; e me, che 'l marmo asciutto 
 Vedrai bagnar, te richiamando, ascolta. 
 Però che chiusa, e tolta 
 L'alta pura dolcezza, e rotto in tutto 
 Fù 'l più fido sostegno al viver mio, 
 frate, quel dì, che te n'andasti a volo. 
 Da indi in quà né lieto, né securo 
 Non ebbi un giorno mai, né d'aver curo; 
 Anzi mi pento esser rimasto solo, 
 Che son venuto, senza di te, in obblio 
 Di me medesmo, e per te solo er'io 
 Caro a me stesso. Or teco ogni mi gioia 

 È spenta, e non so già, perch'io non muoia. 

 
 
 
  Alma cortês que do Mundo errante 
   Partindo na tua mais verde idade, 
  Me deixaste eternamente em dores, 
  Das sempre beatas almas jogadas, 
  Ond'ora permaneces cara àquel'Amante, 
  Que mais temer não pode, que te se tolha; 
  Protege em terra, e olha, onde os teus despojos 
  Encerra uma bela pedra; e eu, que o mármore enxuto 
  Verás banhar, chamando-te, escuta. 
  Mas já que fechada, e retirada foi 
  A alta pura beleza, e destroçado 
  Foi o mais fiel apoio ao viver meu, 
  irmão, aquele dia, que partiste em voo, 
  Desde então nem feliz, nem seguro 
  Tive um dia mais, nem de ter curo; 
  Antes me arrependo de ter ficado só, 
  Que cheguei, sem ti, ao olvido 
  De mim mesmo, e para ti só era eu 
  Caro a mim mesmo. Ora contigo cada minha alegria 
  Feneceu, e não sei já, porque não morra. 



Masterfully put into Portuguese above by - Ricardo Castelo Branco (FB link) .
   I shall now leave an English rendition below for my English readers







Gentle soul departed at thy most tender age 
From this wavering world,
Leaving me in pain for eternity, 
To the realm of those blessèd, 
Whence my dear à quell'Amante (to that - Love) thou now resideth,
No fear, no hindrance to thee;
  On Earth defend and watch where layest thy remains
Closed by a grand stone;
 and I, whom thou shalt see bathing the dry marble,
 shall be calling thee, listen.
   Yet therefrom shut off am I, pure and lofty beauty taken,
  and shattered has been my life's most faithful support,
 brother, on that day whence thou tookest flight.
 For me, thenceforth not a day of bliss nor refuge
More, nor cure as they cometh;
Indeed I am sorry to have been left alone,
 I am arrivèd, without thee, unto mine own oblivion
 - for thee alone did I myself hold dear.
 Now all joy beside thee hath faded,
 And I have yet to know
Why I do not die.

translated by:
Maria MFA Costa


 



Michelangelo's fallen angel - Link to the original image










Years ago, upon reading up on a subject (Camerata Fiorentina) and an era (The Renaissance - especially the latter "mannerist" part of it) that interests me greatly, I came across a man whom among others had tremendous influence upon not only his own language (as is known) but the history and development of a major change in the arts - Visual & musical - for instance.  (important changes)

An author whom has always intrigued me, it has been decades since I took a proper glance at his work and am now reminded of how it moved me back in the first years of the 90s, causing me passion to study history in a different mode than before, and that particular period in western history seemed to be as good a point as any to start.
I am no specialist in History of any kind or era and as many am touched by poetry.
Understanding where we come from (in a broader sense) helps understand who we are, or rather how we "got here", for the arts and their trends are (in my opinion) a mirror of our "collective soul".


Pietro Bembo through his intense study of how the sound, rhythm and variety of the sonorous quality of words in poetry "affects" people had such an incredible impact upon not only literature but the music of his time (Willaert & successors Cipriano di Rore, A. Gabrieli and others - composers of the "Franco Flemish style") and the expressive/representative quality it could have; culminating in the work, or rather, the oeuvre of the most  intriguing quality (in my opinion) by the likes of Nicola Vincentino among others,
{ a man who had had heated debates, famous at the time, regarding the older style versus the newer style of composing (his being the latter), apparently losing against a witty though more conservative Vicente Lusitano } - that his work seemed to be of paramount importance.
The Madrigal was at the time the means par excellence and the "playground" for the birth of what would become a new style in music and the onset of the  Baroque.
Thinking of how the newer age - The Baroque - began with the birth of Opera, even though perhaps less bold in terms of composition than that which could be seen in the Madrigal, an art form mixing theatre & music to interpret and enhance the drama that was shown to audiences that were on the verge of having the first known Theatres (of the modern world) built (Teatro all'antica, Teatro Olimpico and the Teatro Farnese - all in the north of Italy)
► and thus not needing to go to courts to see performances; all this along with the impact of such change upon instrument construction in order to enhance the projection of sound (violins et cetera) seems amazing to me.
- an incredible age in human history, full of agonizing and terrible battles (the horrid side of history) along with amazing scientific/artistic discovery.


I now leave you with some more artwork and music of both stages within that era

Duarte Lobo
.Francesco Patavino

Claudio Monteverdi


Nicola Vicentino




The madrigal may have been the above mentioned "playground" for trail and experimentation leading to much change in Music nevertheless, as I say above, the birth of Opera is not only significant in itself but I keep recalling Orfeo's farwell as he bids adieu to the world in Monteverdi's L'Orfeu (the world's first known written opera, not having reached us Peri's "Dafne" written in Florence two years before).
* I'll leave you also with an exerpt (just under 3 minutes) of a fine performance where one can hear the attempt to express, to "affect", to "paint" the emotive quality and significance of words musically.
- I keep recalling his «Addio terra, addio cielo, e sole, addio» and how the composer moves melodically to depict the words
(translated ► Farewell earth, farewell sky, and sun, farewell)

______________




- also, pictorially to my mind's eye I recall changes from the "symmetry" to the "uneven", among other things in art after certain historic events (wars in the city states of Italy - "Renaissance wars") as can be seen below as one views how artists changed whilst depicting similar subject matter.





Leonardo DaVinci's Last Supper (1495-98)







 Jacopo Tintoretto's Last Supper (1592-94)






Sandro Botticelli's Madonna w/two angels (late XVth century)








Madonna dal collo lungo - Parmigianino (1535-40)









  









I wish all a happy weekend. 

Friday, 12 April 2013

Manuel António Pina, Gesualdo e "ab ovo I - oVerbo" (a poem a painting a song)




Algumas Coisas


A morte e a vida morrem
e sob a sua eternidade fica
só a memória do esquecimento de tudo;
também o silêncio de aquele que fala se calará.

Quem fala de estas
coisas e de falar de elas
foge para o puro esquecimento
fora da cabeça e de si.

O que existe falta
sob a eternidade;
saber é esquecer, e
esta é a sabedoria e o esquecimento.



(poema: Manuel António Pina,- "Aquele que Quer Morrer")









Hapi's sibling - iseetheriverbeforeme - Flowing in Prayer form


a greyish blue matter flows
blinded by its own margins innocent
not worrying whence it came from nor where it goes
it's in no hurry
perhaps fully aware that it's truly another form of itself
in a state of fluidity
fruition of a love well spent
upon a weak body

An apparent amorphic compound  -
It is,
in all its forms and frailties
a pure form of its multitudinous self.

(poem: Maria MFA Costa - aka: Guida Almeida)

...

(this post is scheduled to become published today - Friday, April 12th - 1 pm / local time)
Wishing all a nice weekend

Friday, 22 March 2013

March and the many faces of ART (Artes em Março, a pascoa e primavera)

Magnolia Tree - Vincent Van Gogh



March  -
Bach, Van Gogh,  Michelangelo, Bach's son Carl Philipe, and many more came to being this month; a month that brings forth Spring and with it this year - Easter.

 I thus feel an enormous urge to celebrate a month so precious to the arts in so many ways.

The authors/painters/performers below are among those that are on my shortest of shortlists.



In the future as I have in the past, I shall separate them - one by one.



 - Março, mês que traz a primavera, que mexe sempre com muitos, no meu caso no mínimo desde o Criptozóico.


 - mês de músicas e de belíssimas artes.





BACH










M Ravel












Henry Purcell
              Pierre Boulez



Carlos Azevedo
                   F Chopin   



Constança Capdeville
         Astor Piazolla



Modest P Mussorgsky
         Dinu Lipatti 
                                                                                   (playlist retirado do blogue - Ideias Soltas )



Gesualdo da Venosa
         Bela Bartok  



Heitor Villa-Lobos
        Ralph Towner                                                    


 Steve Kuhn







VINCENT  Van Gogh



























Michelangelo

















Graça Morais























Antoon van Dyck


 















Piet Mondrian



















Sandro Botticelli














..e cá está ela, a primavera, sabia que ela estava aqui algures..



Sunday, 10 February 2013

Julian Priester - Jazz / composer / educator

_
image from - www.healdsburgjazzfestival.org 




Here are two of the many recordings I enjoy with Julian Priester who has shared the stage and performed with so many other outstanding musicians.

Deixo aqui dois videos com um músico de eleição que já partilhou o palco e gravou com inumeros vultos do jazz durante as últimas decadas, e que desde há muito aprecio.
Infelizmente está com problemas graves de saúde e pelos vistos no seu país "saúde" é um luxo.. é sempre a velha história que se uma pessoa tem a infelicidade de adoecer, perde tudo.  É muito triste e indigna a  realidade com que os cidadãos daquele país, que não tem na sua história o assegurar de direitos básicos tais como a saúde, e pessoalmente custa-me assistir a que um artista de seu calibre esteja sujeito a uma situação destas. 
Por este motivo deixo aqui de forma solidaria, também, uma ligação na esperança que de alguma forma a sua situação seja aliviada e mais que isso, a saúde volte a sorrir alguém que se tem batido pela formação de  tanto músico, e tanto nos tem dado ao longo de decadas com a sua arte.






This great musician has unfortunately fallen ill and unfortunately, unlike many nations throughout the world the US thoughout the decades after the UN's 1948 Universal Declaration of Human Rights has not provided its citizens & general public with a health system as Canadians, Cubans, Portuguese, French, British ... and so many countries do (eventhough currently the IMF and EU seem bent on policies that shall perhaops destroy all our "public health care" systems .. too much profit to be made off of people's sickness it seems and I'm so very sad to say).  This is an attempt to provide what our countries should guarantee all  citizens in all lands - health care.
 It hurts to see such that a such a rich country (not only in terms of wealth) should have problems like this.


I thus leave you with the above link truly hoping his health can be recovered and that he live a long life.  I am in no way a relative or collaborator in any of his projects. In no way do I propose to reflect with my thoughts and words those of Mr. Priester or any of his loved ones.

This is not just an issue of hoping that the public may perchance come to the aid of one whom has given so much to all of us through his art and taught so many, this is a moral issue regarding basic human rights that we all deserve .  For this reason I shall catalogue this post also under "Human Rights".
Indeed if this is such with one whom is known so well, having such a long carreer and having performed with the likes of  John Coltrane, Duke Ellington, Herbie Hancock and so very many more as a sideman or with  ensembles under his own name   (I'll mention a few more of the many with whom he had collaborated: Muddy Waters, Dinah Washington, Bo Diddley, Max Roach,Clifford Brown, Sonny Stitt, Freddie Hubbard, Blue Mitchell, Art Blakey, Joe Henderson, Dave Holland, Charlie Haden, McCoy Tyner, Sam Rivers to mention just some)  - than it should not be difficult  to  imagine the majority of people in that land, the staggering number and their hardship precisely at vulnerable times when their only worry should be to get well..





I'm baffled that even with such oustanding & wonderful carreers such as Priester's, having taught so many, in a profession that makes us more or less visible even if we are not football/soccar stars that we should need to ask for something that all deserve as a basic human right.  
I'm appalled that President Obama's noble quest for giving his nation "public health care" is always  slammed and sidetracked by conniving crooks who hide in large corporations that take so much profit in the hardship & suffering of others (they care not if any of us die, not even those of us who have recorded & performed so much for so many to hear and warm our souls to.  An "artist" after ceasing to exist keeps warming our hearts though their ouevre but I need not justify the reason anyone should have that basic Human Right to the best health possible, all of us, every man, woman and child deserves that

- I quote Article 25 of a declaration written in 1948 - Paris, France:  

"Article 25
Everyone has the right to a standard of living adequate for the health and well-being of himself and of his family, including food, clothing, housing and medical care and necessary social services, and the right to security in the event of unemployment, sickness, disability, widowhood, old age or other lack of livelihood in circumstances beyond his control.
Motherhood and childhood are entitled to special care and assistance. All children, whether born in or out of wedlock, shall enjoy the same social protection." .
 LINK to the *The Universal Declaration of Human Rights* by the United Nations - 1948)  








I wish all a blessed weekend - take care


 Please, please help.  










picture from here - LINK




Julian Priester
(for a quick peek on wikipedia to check out some of his work)


or for more regarding Julian Priester - LINK


I'll also repeat the fund raiser's LINK  
LINK - LIGAÇÂO 

Monday, 14 January 2013

Two-Part-Post & "In Memoriam" > Aaron Swartz | Um artigo com dois "andamentos" & uma nota In Memoriam > Aaron Swartz



"In Memoriam, Aaron Swartz, November 8, 1986 – January 11, 2013




Image taken from (imagem retirada daqui) LINK 




                                  (For those who wish to read some more I leave another Link  )



Feeling the year has started with a world in turmoil more than usual, I shall now leave the article I had originally meant to post prior to having heard of young Aaron having left  us.
In a time where it seems to be "politically incorrect" to be a humanist, when basic inalienable rights, necessities and conquests are questioned it seems even more harsh such an outcome for one who in such a short life attempted so much for so many.

I thus very humbly bid goodnight to this gentle prince, this fighter for Mankind.


 I leave in place of any further words a video clip :





Music composed by
Eurico Carrapatoso set to a poem by
Sophia de Mello Breyner Andresen


Se tanto me dói que as coisas passem

É porque cada instante em mim foi vivo

Na luta por um bem definitivo

Em que as coisas de Amor se eternizassem






Two-Part-Post
containing: an essay PT, a painting and a poem

(Part One: Português  -  Part Two is at the bottom of this post and in English)









Fui buscar o texto que se segue a Vera Tormenta Santana


Gonçalo M. Tavares, Ensaio “Sobre os Tempos”, Público, quinta-feira, 3 de Janeiro de 2013.

1 – Saída de emergência

“Deves é mudar de alma, não de clima. (…) Andares de um lado para o outro não te ajuda em nada, porque andas sempre na tua própria companhia.” Séneca

Sempre que, antes da descolagem de um avião, se escuta: Preste atenção que a saída de emergência pode estar nas suas costas, sentimos que se está a falar não das medidas de segurança no caso de um acidente, mas da existência no geral. Existência individual e da sociedade.

A europa embarcou há muitos anos e, em 2013, continuarão a ouvir os conselhos de segurança: Preste atenção que a saída de emergência pode estar nas suas costas. E há quem aponte outras saídas.

Numa variação de célebres paradoxos, poderemos dizer que um continente ou um homem que estejam equidistantes de duas saídas de emergência, em caso de acidente correm o risco de morrer, imóveis na hesitação. E com dezenas de saídas de emergência a igual distância, um homem ou um continente – além de não se salvarem – ficarão loucos.

2 – Versos

Os versos de Hölderlin:
“Dificilmente abandona / o seu lugar aquele que mora perto da origem.”

E o comentário de Heiddeger a estes versos:
“De modo inverso, quem facilmente abandonar o lugar comprova que não tem origem e se limita a estar presente como que por acaso.”

3 – Velocidade

A síntese do homem contemporâneo, do homem que pode decidir e agir – é a do Homem com Pressa Dentro do Elevador.

A angústia de ter pressa e músculos e energia capazes de acelerar, mas dentro de um Recipiente que tem uma velocidade predeterminada e que não altera a sua velocidade.

A sensação é a de que entre a sociedade e cada um dos elementos que a constituem se começa a cimentar uma dessincronização essencial das velocidades. O Recipiente com motor onde nos colocaram nunca tem velocidade de que precisamos. Mas já não somos nós que fazemos juízos sobre o Recipiente, é o Elevador que nos julga. É o mecanismo do ascensor que diz ao Homem com Pressa Dentro de um Elevador: estás com pressa a mais, acalma-te.

Estamos sempre ou demasiado rápidos ou demasiado lentos. A nossa velocidade torna-se culpada. A sociedade parece exigir sempre. Em qualquer circunstância, uma outra velocidade. És culpado porque não acertas-te na velocidade.

4 – Fundamentalismos

Gosto particularmente do que diz uma personagem de Hans Christian Andersen: “Pediram-lhe para rezar, mas ele só se lembrava da tabuada.”

Dois tipos de fundamentalistas:

1. O fundamentalista da lógica pura: pediram-me bondade, mas eu só me lembrava da tabuada; pediram- me sabedoria, mas eu só me lembrava da tabuada, etc.

2. O fundamentalista religioso: Pediram-lhe a tabuada, mas ele só se lembrava de rezar.

Há muito que a Europa se instalou na tabuada. Por cima do mapa do Continente poderíamos escrever simbolicamente

2x3=6

ou a tabuada inteira, mas cometeríamos um sacrilégio se escrevêssemos uma oração, por exemplo, o Pai nosso que estais no Céu, Santificado seja o Vosso nome.

O sacrilégio mudou de objecto.

Na Europa, em 2013, o discurso religioso que conteste uma adição ou uma multiplicação será apedrejado.

O cineasta Herzog lembra que, num dos seus filmes rodado em África, elementos da tribo massai não quiseram entrar num posto médico móvel porque este estava elevado em relação ao chão. “Por razões misteriosas, não se atrevem a subir os degraus. Tentam entrar, hesitam e recuam. Só no final é que alguns massais conseguem ultrapassar esse obstáculo invisível e subir os três degraus que conduzem ao seu interior.”

A Europa, de uma forma geral, está assim. Não sobe os degraus; tem medo das alturas, da pequena altitude que esses pequenos degraus inauguram. Com os pés no chão ou em queda (sem chão por baixo): eis como se sente segura a Europa.

“O rapaz não ousa olhar-se no escuro, / mas sabe bem que deve afogar-se no sol / e habituar-se aos olhares do céu, para se fazer um homem” Cesare Pavese

5 – 5 não é 5 não é 5 não é 5

A objectividade pura tem uma potência violenta. 5 é 5 é 5, eis o indiscutível. Dizer que 6 não é maior que 5, em 2013, na europa, seria o mesmo que dizer – na Europa medieval – que Deus não existia.

Quando alguém diz: isto é objectivo, o que está na verdade a dizer é que não tem discussão, isto é verdade, tu não tens nenhum contra-argumento contra isto. Alguém que se opõe ao que é objectivo só pode ter, assim uma cabeça débil. Quando se diz isto é objectivo terminar-se a conversa, o outro não pode contestar.

Quando se diz isto é subjectivo, afirma-se apenas que isto é um ponto de vista; permite-se, pois, que o outro dê um passo em frente, contra-argumente.

Numa entrevista a um jornal francês, Godard disse uma vez esta frase terrível: “A objectividade? É cinco minutos para Hitler e cinco minutos para os Judeus.”

6 – Moral da Máquina – ou o oitavo pecado.

“E as crianças que poderiam ter mudado tudo / jogam entre pedras e ruínas. / E não querem mudar nada.” Yehuda Amijai

A moral europeia é, em parte, a moral da máquina. É bom aquilo que funciona. É bom, não apenas em termos de eficácia, mas em termos morais.

A noção de pecado socializou-se e entrou na esfera da tecnologia. Alguém que não saiba calcular ou que não domine a última versão do Windows comete um pecado. O pecado maior é a ineficácia. Alguém que não funciona bem torna-se um pecador.

Os pecados capitais são agora oito: gula, avareza, luxúria, ira, inveja, preguiça, vaidade e incompetência.

O incompetente não entrará no reino da Terra.

7 – Salvação

A discussão é sempre esta: prefere ser operado por um médico competente ou pelo médico de ‘bom coração’?

Se escolher a pessoa que mais o ama para o operar cometerá provavelmente um erro. A salvação já não vem com a entrada do padre na casa do doente, mas com a do médico – e essa transição radical no século XX, analisada por muitos, ainda está em movimento. A salvação que classicamente teve uma abordagem religiosa ou moral tem desde há muito, na Europa, um entendimento clínico.

“Aqui, onde as ruínas querem voltar a ser / uma casa (…)” Yehuda Amijai

8 – Coragem e bondade

A bondade salva cada vez menos, e isso assusta. No mundo de paisagem técnica em que os elementos naturais estão escondidos – quase já não há montanha, nem terra – cada vez mais, salva quem sabe onde ligar ou desligar a electricidade; aquele que sabe mexer nos comandos da casa das máquinas.

E nesse aspecto seria interessante fazer a análise do homem europeu que salva outro em 2012. Se, em séculos passados, a coragem, acima do resto, seria uma das qualidades essenciais de quem salva, hoje tal qualidade é quase dispensável. Que poderá fazer o homem mais corajoso do mundo diante de alguém que corre perigo no meio de uma cidade moderna? A coragem perdeu eficácia – os seus efeitos eram bem mais evidentes quando o que estava diante de si para vencer era uma força natural –animal, água, fogo, outros homens, etc.

Hoje a coragem te, primeiro, de tirar um curso de especialização técnica. Se não o fizer será coragem, sim, sempre, mas inconsequente. Diante de um conjunto de pessoas fechadas num elevador parado por avaria, o homem mais corajoso do mundo irá telefonar á assistência técnica – eis o sem-saída em que nos colocámos.

9 – Valores morais – e o que está no meio

Se pensarmos nos diversos valores morais e éticos – bem, bondade, lealdade, altruísmo, honestidade, solidariedade, liberdade, verdade, justiça, sabedoria, coragem, etc. verificaremos que, se no meio deles estiver o funcionamento de uma máquina, estes valores tornam-se pouco consequentes. É esta anulação moral por parte das máquinas. A tecnologia, no seu conjunto, funciona como uma máquina de terraplenagem moral.

Estes valores morais clássicos, há que insistir, foram pensados na relação de um homem com um outro homem ou conjunto de homens, uma relação imediata. O que temos em 2013 nas cidades europeias é um outro mundo. São raras as relações imediatas, directas, corpo a corpo e entre homens. No meio, mesmo que muitas vezes não nos apercebamos disso, estão máquinas. A lealdade entre dois homens só se poderá manifestar na cidade europeia do século XXI se, pelo menos num deles, existir um conjunto de habilitações técnicas mínimas.

Não te posso salvar porque não sei mexer na máquina – eis a frase que, em 2013, será muitas vezes escutada.

“Há muitos metros entre um animal que voa / e a escada que desço para me sentar no chão” Daniel Faria

10 – Palavras más

Sem nos apercebermos, de uma forma subtil, o vocabulário que utilizamos de forma comum vai instalando este novo mundo. Peguemos num exemplo: a palavra funcionário. Esta palavra tem uma violência contida de que não nos apercebemos. Funcionário é aquele que exerce um conjunto de funções – e função sempre foi uma parte que está contida em algo mais amplo e importante. Reduzir uma pessoa a um conjunto de funções é violentá-la.

Pensemos, por exemplo, na inócua pergunta: ele funciona bem? De facto, podemos perguntar se o João, a Maria, ou o elevador funcionam bem. E quando podemos fazer a mesma pergunta acerca de um homem ou de uma máquina é porque algo, de facto, lá atrás se desarranjou.

E é também por isso que muitas pessoas, aqui e ali, começam a ter avarias.

11 – A apatia

O que me parece muito claro é que a máquina é o ser apático por excelência. (A apatia, esse modo de uma coisa se colocar à mesma distância de todas as outras coisas, de não ter julgamentos estéticos, éticos, etc.)

Uma fotocopiadora tira fotocópias de um documento neutro e a seguir de uma sentença de morte, com a mesma maquinal indiferença – à mesma velocidade e qualidade de impressão. Nunca pára o seu movimento por questões morais, só por avaria. A avaria, aliás, é muitas vezes a origem de uma tragédia, mas cada vez mais, também uma das últimas vias de salvação. (A cada dia, a cada ano, a frase – Felizmente, avariou – ou a estranha e herética frase – Graças a Deus, avariou – se tornarão menos aburdas.)

12 – Perguntas humanas
Não podemos fazer perguntas sobre julgamentos estéticos ou filosóficos a um animal ou a uma máquina e é também por isso que as artes, a cultura e a filosofia, apesar de tudo – apesar de tudo – são importantes. Também não podemos fazer perguntas éticas ou sobre 'estados de espírito' senão a humanos: não perguntamos a uma máquina fotográfica se ela ficou entusiasmada quando fotografou aquela paisagem.

Seria interessante pensar que continuamos humanos precisamente porque há ainda perguntas que se fazem às pessoas que não podem ser feitas aos animais ou às máquinas. Por exemplo: gostas? Era bonito?

Outro exemplo: de uma pergunta naturalmente humana, a de Brodski: "Mas porque está ausente da Constituição a palavra 'chuva'?"

13 - O que aí vem – pés, olhos

“Bem aventurado o que pressentiu / quando a manhã começou: / não vai ser diferente da noite.” Adélia Prado

Podemos ter os pés num terreno feio e os olhos virados para algo belo. Ou podemos, situação inversa: ter os pés num terreno belo e os olhos fixados em algo feio. Na primeira situação, teremos a sensação de que estamos num sítio belo. E na segunda situação teremos a sensação de estar num sítio feio. O que vemos, lá à frente, torna-se sempre o mais relevante.

Se estamos com os pés num sítio feio e os olhos fixos num sítio feio, mas temos uma bela imagem na cabeça, estamos num sítio belo – eis o que dirá, em contraponto a tudo isto, o bom e perigoso, o perigoso e bom velho utópico.

“Depois encontrei o meu pai, que me fez uma festa / e não estava doente e nem tinha morrido, por isso ria (…) Adélia Prado»





"Gaia", mixed media on canvas by Guida Almeida 2005 (photograph by Sandra Ramos) Currently belonging to the city of Lisbon





(Part Two - English)


You Who Never Arrived 



You who never arrived
in my arms, Beloved, who were lost
from the start,
I don't even know what songs
would please you. I have given up trying
to recognize you in the surging wave of
the next moment. All the immense
images in me -- the far-off, deeply-felt landscape,
cities, towers, and bridges, and un-
suspected turns in the path,
and those powerful lands that were once
pulsing with the life of the gods--
all rise within me to mean
you, who forever elude me.

You, Beloved, who are all
the gardens I have ever gazed at,
longing. An open window
in a country house-- , and you almost
stepped out, pensive, to meet me. Streets that I chanced
upon,--
you had just walked down them and vanished.
And sometimes, in a shop, the mirrors
were still dizzy with your presence and, startled, gave back
my too-sudden image. Who knows? Perhaps the same
bird echoed through both of us
yesterday, separate, in the evening...


From 'Ahead of All Parting':
by Rainer Maria Rilke
Edited and Translated by Stephen Mitchell