Sunday, 16 September 2012

IMF Democracy and a message to a Pr. Minister plus the "Oposition"

Now that I have almost cooled off from yesterday's massive public outcry (all cities in the EU nation of Portugal), I shall leave some of my thoughts, first in Portuguese and in English further down if I have the time to do so today. I know that when we feel alive due to personal matters everything seems to be vidid and intense, but to see people take to the streets as they did was quite remarkable in itself.  



















































Ontem pela primeira vez vi ficar uma porta "entre-aberta".   Por uma nesguinha senti que se via um possível caminho para uma solução;  para aquilo que é, quanto a mim, a única forma que se possa combater o mal que nos fgazem por falsamente chamando de "democrático" o sistema que se usa para colocar este ou aquele no poder, e assim efectuar o que quem manda (ou quer mandar), deseja, e não quem elege necessariamente.   
Sabemos que em nada importa quem é eleito, pois há sempre como se diz em inglês um «hidden agenda».. Não existe oposição.   É falsa tal noção. 
Todos sabemos que usam um palavreado melhor ou pior, uns ou outros -

(os senhores do PS/PSD  e CDS-PP, os tais que nos têm sempre regido desde.., desde finais de 1975 e o golpe que foi dado ao "25 de Abril" no 25 de Novembro) 


- que embora uns mais fáceis de manipular que outros  (em trinta e muitos anos parece que salvo raríssimas e honrosas excepções, as posso contar com uma mão) todos os eleitos ou "elegíveis", estão lá para serem instrumentalizados; os actos não correspondem ao que se diz - são sempre, e vão sempre, pelo mesmo. 

Nunca foi tão verdade isto, e de forma tão gritante que com o actual elenco que ocupa São Bento como governantes e a sua oposição.   Esta época das ditas dividas soberanas que se iniciaram de forma tão "oportuna" no momento de estourar a Lehman,  há alguns anos, e as tais dividas do "sector privado" formou o  palco perfeito para a "fantochada".  
Vejamos o que é um fantoche.   É um boneco articulado por outrem. Não tem vontade, ou "vida própria".   
Daí a metáfora, os fantoches falam e fazem o que mandam,  muita, ou a maior parte dos média corporativos fazem o seu papel de forma obediente dando aquela sensação que nada de verdade se pode fazer para alterar as coisas, aldrabando, e passando a mensagem desejada, da forma desejada. 
Os partidos e suas chefias actuais, que nos últimos tempos já nem eleitoralistas têm sido, são precisamente..  são exactamente isto.  Neste momento vê-se plenamente esta realidade (como intelectualmente o mais provável é serem pobresinhos já nem esse mecanismo, o do "eleitoralismo" os impressiona, pois sabem que o "lobi" é o que faz ganhar.. )
Uma pessoa vem sentindo que de manifestação em manifestação tanto faz, nada muda.. estão-se nas tintas.  É-se eleito, faz-se o que é mandado, obedece-se ao dono, e nem se liga ao que pode ser ou não a vontade/necessidade de suas pessoas, de seu povo, e nem importa..pois é pouco importante em épocas eleitorais.  Quem manda (gente tais como o FMI com as suas Troikas) sabe isto muitíssimo bem e conta com isso.  Nem é de esperar outra coisa, acho. 

Pois é................

Mas ontem senti algo diferente; algo que nunca senti, nem desde a minha adolescência.  Podem, embora seja por certo duro, serem os donos dos 'fantoches' contrariados, e as suas mãos atadas de forma real.    Dá algum trabalho, não digo que não, e é preciso que tenha continuidade. Mas, também sabemos sabemos que tudo que merece a pena na vida assim o é. 

Desta vez, no caso de Lisboa por exemplo, que é onde eu estive,  via-se séria preocupação com o que o povo supostamente queria.  Reforçaram a segurança na sede do FMI, para assim falar dum sítio.  

Pelo o percurso sugerido, ou seja o que motivo foi, parece que entenderam, e facto era pois a reação esmagadoramente se dirigia, desta vez, a esse prédio onde eles estão (no 9º andar), na Av. da República, assim como se sentia a grande emoção frente frente ao Deutschebank, mais um ou outro símbolo de quem são os donos do actual executivo (assim como da sua suposta "oposição").  Desta vez a dimensão (a maior desde 1974) foi de tal ordem, pelo país inteiro, sabendo que coisa semelhante ocorreu no Porto, em Castelo Branco, em Faro, e em inúmeras cidades - que é ridículo tentar menorizar a ocorrência, mesmo que por meios e mecanismo da comunicação social que habitualmente são usados. 

Coitados, uma coisa é se saber que se sabe que se mente, outra é dizê-lo a quem, e sobre quem, mentem.  (peço perdão, sei que a frase anterior é de leitura estranha, mas não sei outra forma de expressar o que queria) 


Se ao ver que para além da gigantesca representação popular manifestada ontem, Sábado, dia 15 de Setembro, não se consegue evitar que em qualquer dos dias de semana (um dia destes...) a "associação de bancos de Portugal", a sede do FMI, a bolsa ou o Banco de Portugal.. for tomado..

Como evitar fugir da legalidade?  Como impor que se corra com o dinheiro que a Troika nos dá, e para mais nas condições que o dá. 
Já nem falo da imoralidade em pagar contas que não fizemos e que contraídas foram à nossa revelia..
Enfim, se nos estivermos nas tintas para com quem é eleito e nos concentrarmos em quem manda neles, retirar-lhes os brinquedos.. talvés se chegue a algum lado, a ver vamos.   Se de algum modo, não permitirmos nenhum "golpe de estado" mas obrigarmos os eleitos a regerem neste momento com o acesso às armas que os da 'alta finança' querem que se use para lhes ofertar o que cobiçam.  Ou melhor, sei que isto soa de forma bem estranha, mas se for uma "revolução democrática", onde se obriga, dentro do possível, governantes a cumprir seus mandatos e no entanto retirar acesso ao que a população manifesta não querer permitir mais rapinar, o seu 'estado social', que nada tem servido para crescimento algum, e que só tem fomentado maior sofrimento e destruição do pais.........Assim como quem diz:
          "Ai é? Então agora governa, e nem pensem em brincar às eleições, ou que se vá em 'ditadorzecos'. Têm de trabalhar, vocês, ou quem vem a seguir, se forem os vossos pseudo-opositor; mas ao não nos terem defendido de forma alguma, e estando para connosco em incumprimento.., retiramos a tal 'carta branca' que pensam ter, obrigando a que se aguentem à bronca, a governar por mandato democrático mas cumprindo o vosso dever e promessa para connosco.  Não deixamos, nem que seja à força,  mexerem mais no que os vossos donos querem mexer e destruir.     Se os vossos donos perdem interesse em vós, por assim não ser lucrativo como dantes, e sentem que nem uma ditadurasita se consgeue implementar, melhor ainda..............se for incutido medo nesses senhores, de alguma mensagem subliminar que têm de ter cuidado, não vá a moda pegar na restante Europa,  que o povo pega em quaisquer fantoches que nos querem colocar, no poder, e os obrigarmos a fazer como nós queremos... (correr com agiotas que imprestam dinheiro e obrigam através de coisas ilegais aos olhos do direito internacional, pois..... pois, obrigando ou fazendo aceitar emprestimo, coisa que mesmo que fosse dívida correctamente assumida, a quem têm cerca de 65% (se me lembro bem) ou mais probablidade de cair em incomprimento de pagamento.. é ilegitimo.   Não é só quem deve que tem obrigações legais, o credor também os tem (acho que nem é preciso mencionar por quais motivos óbvios assim o é) Resta-nos o facto de........
Nenhum estado europeu assim estava ou tem estado, NENHUM!!  
É pura agiotagem, como se sabe, e há que por termo a isso.   (por ironia, vi em mapas da OCDE que em 2010 por exemplo estavamos acima desse valor, mas que tanto nós como a Espanha estava bem melhor para cumprir nesse aspecto que os restantes países.., tenho esses mapas aqui algures e irei os colocar online mal puder)
Pois é, temos de ser nós a fazer algo pela nossa democracia, e pelo que é nosso. 
É mesmo isso que se quer, meus senhores, e tanto me faz que goste de vocês ou não, pois temos de vos 'educar' para a democracia.   Coitados, vocês que actualmente estão na classe política não parecem sequer se atrever pensar em tal coisa. E, se obrigarmos o FMI a ter de acatar com o que os seus fantoches, eleitos seja como for,  são autorizados a fazer por vontade imposta pelo povo, vão certamente vos largar a berguilha.   Vão deixar de lhes interessar.. o encanto vai-se..
Então trabalhem, meus lindos. A "bem" sabemos que não o vão fazer, e sem vos deixar demitir, ou, caso se eleja outro grupo de fantoches, o mesmo se teria de aplicar a esses, para que assim a atracção de os manipular os cordelinhos diminue.   Ou então mudem de livre vontade (coisa que não creio ser possível).   Façam lá isso.. Vejam como as Troikas  perderão o interesse em vós.  "



Se obrigados forem a governar assim, sem os atributos que terceiros gostam ter livre acesso, e pôr em causa já, já agora, a dita Troika com seus dinheiros e suas combinações perfidas para connosco, uma de duas coisas, parece-me, ou ambas vão ocorrer:

1. melhoria significativa, de nível da classe política por deixar de haver "atributos" que interesse à alta finança. 

2.  Finalmente uma possível retoma da nossa economia, a custo bem sei, mas real, e de soberania.


Ia escrever muitas coisas, e de facto escrevi, mas perdi tudo devido a falta jeito manuseando o meu computador.. apenas afirmo que a dívida pública, pelo que sei, e se não me estiver a enganar, pouco mais de 40 por cento do total da nossa dívida externa era, antes da tal famosa "crise", por isso a questão da dívida pública me parecer desde alguns tempinhos um tremendo engodo.
[ LINK ]  
E já agora pergunto, pois não entedo bem destas coisas: como se pretende fazer face à dívida, então, se o problema se diz ser de crescimento e produtividade, quando tudo que possa tal promover é destruido?    Algo cheira demasiado mal e há demasiado tempo.    


Para já, nada mais tenho a dizer, e só irei pôr isto na minha outra língua, a que habitualmente uso aqui com mais frequência, mais tarde.


Um bom Domingo a todos, desejo.









(e despeço-me, tenho uns caracóis lindos que me andam a atormentar, doucemente. não sei o que é mas de há uns tempos para cá andam meio traquinas mais que o costume comigo, que raio.., Já limpei os vidros, e andam irrequietos na mesma, que coise.. são o meu melhor amigo, são o meu ''ai jesus'', .. são tudo e mais alguma coisa, mas andam de tal maneira que.. aaaaaaaaaaaaiii,,) 




(To my English readers - please forgive there not being for the moment a written translation of the above.  I will nevertheless provide one as soon as possible. In the meantime I beg your indulgence - Have a nice day)

Tuesday, 11 September 2012

Eugénio Lisboa - Carta ao Primeiro Ministro & um aniversariante que muito aprecio (Arvo Pärt's 77th birthday)

(the letter contained herein written by  Eugénio Lisboa to Prime Minister Pedro Passos Coelho for the time being shall be left in Portuguese.   The acclaimed essayist in fact left the letter open to the general public but as time is somewhat short I shall for the meantime only provide a translation upon special request. 
The rest of the article is to pay homage to a composer who's oeuvre is one I love - Arvo Pärt.  Someone very close and in my heart, also a composer, brought him to my attention a number of years ago. Arvo turns 77 tomorrow on the 11th, a date of birth that among other things, much less pleasant to remember, is also shared with the birth of one of my family members.
 One can easily recall the terrible events in Chile and the US - both on an ill fated Tuesday -  but this year, the date landing also on a Tuesday just as the two dark days in recent history had, I post to celebrate the births of  my nephew and the composer.

I also publish said letter mentioned above in hopes of somehow showing and reminding our Prime Minister that one should rule for the people, not against them or their dignity.  It is a powerful message indeed, extremely well written by one who knows his craft.  It seems to echo the heart of a broken nation)  



Sometimes one needs to come to or become a "Tabula Rasa" (in English - a blank slate) to begin anew. 





Por vezes é preciso ser-se uma Tabula Rasa ("uma folha em branco" )







(following are the remaining parts of this work)



















Fica também  aqui  - uma ligação para um artigo noutro blogue .


Pela data ser a que é e este ano calhar, também, numa terça-feira, coloco outro artigo do mesmo blogue      - aqui 









E agora, após esta obra que tanto amo do aniversariante, Arvo Pärt, obra que me foi dada a conhecer há já bastantes anos  por alguém que adoro e me fez renascer, mais que uma vez, eu vos deixo com a dita carta de Eugénio Lisboa assim como o que exprimi na altura de a ler pela primeira vez. 
 (In a warm embrace, looking west. - Praia Azul. - Taken with an old LG cell phone - G. Almeida)












________________________ .




«.. Li, li e saio.., em silêncio sepulcral que nem o respeito imenso que a carta, e quem a escreve me faz sentir de imediato. A revolta que ela espelha de seu autor, uma que sinto espelhar a que tantos de nós temos, é mais que medonha, começa a ser fria.. »..apesar de a alma estar quente, numa doce primavera, o resto não está esquecido..





  (li hoje numa rede social, através da mão de Daniel Oliveira) 





 Exmo. Senhor Primeiro Ministro

Hesitei muito em dirigir-lhe estas palavras, que mais não dão do que uma pálida ideia da onda de indignação que varre o país, de norte a sul, e de leste a oeste. Além do mais, não é meu costume nem vocação escrever coisas de cariz político, mais me inclinando para o pelouro cultural. Mas há momentos em que, mesmo que não vamos nós ao encontro da política, vem ela, i
rresistivelmente, ao nosso encontro. E, então, não há que fugir-lhe.

Para ser inteiramente franco, escrevo-lhe, não tanto por acreditar que vá ter em V. Exa. qualquer efeito – todo o vosso comportamento, neste primeiro ano de governo, traindo, inescrupulosamente, todas as promessas feitas em campanha eleitoral, não convida à esperança numa reviravolta! – mas, antes, para ficar de bem com a minha consciência. Tenho 82 anos e pouco me restará de vida, o que significa que, a mim, já pouco mal poderá infligir V. Exa. e o algum que me inflija será sempre de curta duração. É aquilo a que costumo chamar “as vantagens do túmulo” ou, se preferir, a coragem que dá a proximidade do túmulo. Tanto o que me dê como o que me tire será sempre de curta duração. Não será, pois, de mim que falo, mesmo quando use, na frase, o “odioso eu”, a que aludia Pascal.

Mas tenho, como disse, 82 anos e, portanto, uma alongada e bem vivida experiência da velhice – da minha e da dos meus amigos e familiares. A velhice é um pouco – ou é muito – a experiência de uma contínua e ininterrupta perda de poderes. “Desistir é a derradeira tragédia”, disse um escritor pouco conhecido. Desistir é aquilo que vão fazendo, sem cessar, os que envelhecem. Desistir, palavra horrível. Estamos no verão, no momento em que escrevo isto, e acorrem-me as palavras tremendas de um grande poeta inglês do século XX (Eliot): “Um velho, num mês de secura”... A velhice, encarquilhando-se, no meio da desolação e da secura. É para isto que servem os poetas: para encontrarem, em poucas palavras, a medalha eficaz e definitiva para uma situação, uma visão, uma emoção ou uma ideia.

A velhice, Senhor Primeiro Ministro, é, com as dores que arrasta – as físicas, as emotivas e as morais – um período bem difícil de atravessar. Já alguém a definiu como o departamento dos doentes externos do Purgatório. E uma grande contista da Nova Zelândia, que dava pelo nome de Katherine Mansfield, com a afinada sensibilidade e sabedoria da vida, de que V. Exa. e o seu governo parecem ter défice, observou, num dos contos singulares do seu belíssimo livro intitulado The Garden Party: “O velho Sr. Neave achava-se demasiado velho para a primavera.” Ser velho é também isto: acharmos que a primavera já não é para nós, que não temos direito a ela, que estamos a mais, dentro dela... Já foi nossa, já, de certo modo, nos definiu. Hoje, não. Hoje, sentimos que já não interessamos, que, até, incomodamos. Todo o discurso político de V. Exas., os do governo, todas as vossas decisões apontam na mesma direcção: mandar-nos para o cimo da montanha, embrulhados em metade de uma velha manta, à espera de que o urso lendário (ou o frio) venha tomar conta de nós. Cortam-nos tudo, o conforto, o direito de nos sentirmos, não digo amados (seria muito), mas, de algum modo, utilizáveis: sempre temos umas pitadas de sabedoria caseira a propiciar aos mais estouvados e impulsivos da nova casta que nos assola. Mas não. Pessoas, como eu, estiveram, até depois dos 65 anos, sem gastar um tostão ao Estado, com a sua saúde ou com a falta dela. Sempre, no entanto, descontando uma fatia pesada do seu salário, para uma ADSE, que talvez nos fosse útil, num período de necessidade, que se foi desejando longínquo. Chegado, já sobre o tarde, o momento de alguma necessidade, tudo nos é retirado, sem uma atenção, pequena que fosse, ao contrato anteriormente firmado. É quando mais necessitamos, para lutar contra a doença, contra a dor e contra o isolamento gradativamente crescente, que nos constituímos em alvo favorito do tiroteio fiscal: subsídios (que não passavam de uma forma de disfarçar a incompetência salarial), comparticipações nos custos da saúde, actualizações salariais – tudo pela borda fora. Incluindo, também, esse papel embaraçoso que é a Constituição, particularmente odiada por estes novos fundibulários. O que é preciso é salvar os ricos, os bancos, que andaram a brincar à Dona Branca com o nosso dinheiro e as empresas de tubarões, que enriquecem sem arriscar um cabelo, em simbiose sinistra com um Estado que dá o que não é dele e paga o que diz não ter, para que eles enriqueçam mais, passando a fruir o que também não é deles, porque até é nosso.

Já alguém, aludindo à mesma falta de sensibilidade de que V. Exa. dá provas, em relação à velhice e aos seus poderes decrescentes e mal apoiados, sugeriu, com humor ferino, que se atirassem os velhos e os reformados para asilos desguarnecidos , situados, de preferência, em andares altos de prédios muito altos: de um 14º andar, explicava, a desolação que se comtempla até passa por paisagem. V. Exa. e os do seu governo exibem uma sensibilidade muito, mas mesmo muito, neste gosto. V. Exas. transformam a velhice num crime punível pela medida grande. As políticas radicais de V. Exa, e do seu robôtico Ministro das Finanças - sim, porque a Troika informou que as políticas são vossas e não deles... – têm levado a isto: a uma total anestesia das antenas sociais ou simplesmente humanas, que caracterizam aqueles grandes políticos e estadistas que a História não confina a míseras notas de pé de página.

Falei da velhice porque é o pelouro que, de momento, tenho mais à mão. Mas o sofrimento devastador, que o fundamentalismo ideológico de V. Exa. está desencadear pelo país fora, afecta muito mais do que a fatia dos velhos e reformados. Jovens sem emprego e sem futuro à vista, homens e mulheres de todas as idades e de todos os caminhos da vida – tudo é queimado no altar ideológico onde arde a chama de um dogma cego à fria realidade dos factos e dos resultados. Dizia Joan Ruddock não acreditar que radicalismo e bom senso fossem incompatíveis. V. Exa. e o seu governo provam que o são: não há forma de conviverem pacificamente. Nisto, estou muito de acordo com a sensatez do antigo ministro conservador inglês, Francis Pym, que teve a ousadia de avisar a Primeira Ministra Margaret Thatcher (uma expoente do extremismo neoliberal), nestes termos: “Extremismo e conservantismo são termos contraditórios”. Pym pagou, é claro, a factura: se a memória me não engana, foi o primeiro membro do primeiro governo de Thatcher a ser despedido, sem apelo nem agravo. A “conservadora” Margaret Thatcher – como o “conservador” Passos Coelho – quis misturar água com azeite, isto é, conservantismo e extremismo. Claro que não dá.

Alguém observava que os americanos ficavam muito admirados quando se sabiam odiados. É possível que, no governo e no partido a que V. Exa. preside, a maior parte dos seus constituintes não se aperceba bem (ou, apercebendo-se, não compreenda), de que lavra, no país, um grande incêndio de ressentimento e ódio. Darei a V. Exa. – e com isto termino – uma pista para um bom entendimento do que se está a passar. Atribuíram-se ao Papa Gregório VII estas palavras: ”Eu amei a justiça e odiei a iniquidade: por isso, morro no exílio.” Uma grande parte da população portuguesa, hoje, sente-se exilada no seu próprio país, pelo delito de pedir mais justiça e mais equidade. Tanto uma como outra se fazem, cada dia, mais invisíveis. Há nisto, é claro, um perigo.

De V. Exa., atentamente,
Eugénio Lisboa









Monday, 3 September 2012

Sunday, 2 September 2012

Norval Morrisseau - Copper Thunderbird

Custa.. Custa-me muito regressar aqui e reiniciar actividade com uma notícia triste por isso vou  primeiramente colocar, e publicar neste blogue algumas imagens de obras dum autor que desde há muito eu admiro.  Depois deste artigo irei publicar seguidamente sobre o grande vulto que hoje partiu.. 



Para já, fica este registo do "Miskwaabik Animiki" (Copper Thunderbird), mais conhecido pelo nome de Norval Morrisseau.


Foi o primeiro a quebrar as regras e tradições de seus antepassados, dos Ojibwe, começando em 1959 a pintar lendas, relatos tribais, e seus sonhos, em telas para o "homem branco" poder "ver"  (após ter recebido durante um sonho uma revelação onde lhe foi "indicado" que o deveria fazer).
Educado pelos avós maternos (o avô sendo um devoto xamã e a avó profundamente católica, ambos, tal como ele de origem Ojibwe), ele reflecte uma intensa espiritualidade na sua obra: uma obra riquissima que funde as tradições e culturas, europeias com a dos primeiros canadianos.
Nascido - Jean-Baptiste Norman Henry Morrisseau, a 14 de Março de 1932 (ou 1931), perto de Thunder Bay, junto ao lago Nipigon e a norte do lago Superior, na zona noroeste do Ontário, faz agora este mês 50 anos desde que ele ganhou grande notoriedade no mundo das artes plásticas ao ter as suas obras expostas na Galeria "Pollock", em Toronto (Setembro de 1962).

 Em finais dos anos 60 ele conheceu Pablo Picasso e Marc Chagall, ambos fans da sua obra. Fizeram questão em ver a exposição dos trabalhos do artista canadiano que na altura foi organizada (e simultânea às deles) e que ocorria em Saint-Paul-de-Vence, na França, na Gallerie Saint-Paul.

Galardoado com as mais altas distinções (em vida) de seu país, e reconhecido pelo mesmo devido ao seu enorme talento, ele tem no seu histórial um episódio (entre muitos) de uma vez no início da década de 70 ter sido encarcerado pelo que as autoridades diziam ser - "para o seu próprio bem e segurânça pessoal", devido a estar embriagado. Na altura, quando ocorreu deste episódio de sua vida, para além  a sua cela  (e mesmo ao lado dela) , foi-lhe atribuido uma cela "extra" para assim ter um estúdio.

Em 1978 ganhou o prestigiado galardão de seu país, o "Order of Canada", pelo contributo ao mundo das artes plásticas, e, em 1989 pelo 'bicentenário' foi convidado (o único de seu país) como artista a expor na França.

É seguramente um dos mais representados e reconhecidos pintores de seu país, independentemente de ser de tradição aborigene ou não, se não o mais reconhecido.

Tendo falecido a 4 de Dezembro de 2007, ele deixou uma vasta obra e uma história de vida riquíssima.  A maior razão por haver polémicas em torno de algumas obras suas, e discussão sobre a autenticidade das mesmas, é principalmente devido a se saber que ele assinava (com alguma frequência) obras de outras pessoas com dificuldades financeiras desejando assim lhes ajudar, pois tinha consciência nas últimas décadas de sua vida das somas avultadas que geravam a venda dos seus trabalhos.

Já há muito que era para colocar neste blogue algo sobre ele e agora, sem mais demora, deixo aqui imagens de algumas das suas obras que mais aprecio.




"Moose and Birds"







"Fresh Spirits - 1976"








"Family of Loons"





Migration (The Great Flood)










"Sacred Thunderbird"









1977 "Man turning into Thunderbird" - 1st of the goup of six paintings
 (primeira duma sequência de 6 telas, de  1977)











1977 "Man turning into Thunderbird" - 2nd of the goup of six paintings
( é a segunda tela numa sequência de 6, de  1977 )











1977 "Man turning into Thunderbird" - 3rd of the goup of six paintings
- é a terceira tela numa sequência de 6, de  1977










tela número 4 numa série de 6
- "Man turning into Thunderbird"  4th of 6 canvases (1977)










 tela número 5 numa série de 6, de  1977
"Man turning into Thunderbird" fifth of the group of six paintings








1977 "Man turning into Thunderbird" - 6th painting of the goup of six.
 (tela número 6 numa sequência de 6, de  1977)














































"Migration"









The Land (Landrights) - 1976









Medicine Bear










Mother and Child